11.9.10

e então você pega a estrada

para dias mais agradáveis. A cor do verão está em você, cabelos ao vento, sol se pondo no horizonte e aquela música que você adora tocando.
Você está na estrada e tudo parece tão calmo, porque tudo que te distraía da calmaria está ficando para trás, lá trás, a cerca de 50, 90, 120 km de distância.
Não tem Google, não tem telefone, não tem deadline. Só uns passarinhos voado, as árvores passando e a liberdade de não precisar se preocupar com o relógio.
Praticamente um buda sentado, você esboça aquele sorriso enigmático.



É melhor nem pensar que amanhã você estará fazendo o caminho de volta.
Então você pega a estrada e se desliga - click.
Fora de área.

5.9.10

há 10 mil anos atrás

Naquele tempo, ouvíamos Legião nas alturas. Nas alturas de uma varanda no 5º andar. Aos 15,16 anos, cantávamos sentindo com toda maturidade que essa idade pode oferecer. Entre uma confissão e outra, aquelas meninas estavam crescendo juntas, trocando roupas, cartinhas, experiências, telefonemas.
Os primeiros porres, os primeiros beijos, as primeiras saídas, os primeiros namorados.
Naquele tempo, enloucrescendo.
Hoje em dia essas meninas se vestem de executivas durante a semana, são inpendententes, fazem compras em e-commerce, se preocupam com produtos orgânicos, carboidratos e vitaminas.Com um mundo cheio de coisas para se preocupar, sentem saudade daqueles tempos em que a única preocupação era se os pais iam deixar sair no fim de semana.
E quando se encontram é como se voltassem a ser aquelas aborrecentes de 16 anos, com a cabeça nas nuvens e os pés no chão.

31.8.10

A volta de Álvares de Azevedo




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Do que sabemos

e do que fingimos não saber.

Já sabemos de tudo, já andamos por essas ruas antes, já falamos essas falas puídas.
Já fingimos normalidade, já passeamos entre o tormento e a serenidade, já estivemos em dúvida sobre qual margem escolher.
Já isso e já aquilo, nesse pequeno desastre, lendo e relendo os indícios, repassando os porquês e quandos.
Já deixamos para depois, que teima em chegar mais rápido que o agora.
Já corremos pros abraços, corremos para longe e acabamos estancados no meio do caminho, onde tinha uma pedra, no meio do caminho, tinha uma pedra.
Apelamos até para a botânica, ah apelamos sim.
Já chamamos nosso nome pelo quarto, pela casa, pelas ruas do mundo.
Já tentei desenrolar tuas palavras e me enrolei.
Já fomos tudo, até hiperbólicos, metafóricos, poéticos, dramaturgos, egoístas, personagens, antagonistas: antes fôssemos herméticos.

Agora fale bem baixo, pois posso ouvir você de longe, falando dentro da minha cabeça.

Vou servir um chá para um.

25.8.10

Digestivo do dia:

Não faça do seu amigo um veículo.

A gente ouve?

Mas ouve isso:
Me apaixonei por você loucamente, diferente do que sei (sei mesmo) que vc pensa.
Eu gostei de você com uma pureza sem tamanho. Foi real, intenso e verdadeiro. Você me tirou do salto alto e me convidou para passear num mundo muito lindo. Me sentia mais bonito, mais interessante, mais charmoso, mais provocante, mais inteligente... mais eu. Mais eu, isso.

11.8.10

Da criação ao caos

Atendimento - Responde - Explica - Layout - Vai logo! - Não dá, montagem quebrou. - Vai Logo! - Tá pronto...

Mais ou menos nessa (des) ordem as coisas vão acontecendo. Ou se confundindo, como alguns preferem conceituar.

Toc toc, toc toc: - briefing delivered.
Tic tac tic tac: - o prazo vai terminar.

Brains em storms, isso dá isso não dá, quem sabe dessa cor, não - fica muito pesado, tive uma idéia, êêê finalmente.
De monstrinho clichê a ideia passa da categoria de simples "ok" para animado "que massa!"

E a gente fica feliz e cumpre o prazo e no próximo segundo: Toc toc, toc toc: - briefing delivered.
E as engenhocas começam a rodar mais uma vez.
Do caos se cria ou o processo de criação é um caos?
E assim se cria. E assim a gente mata alguém: o job.

Quem sabe devesse se chamar criacaos?

1.8.10

Le Grand Cirque

Atenção, Senhoras e senhores! O espetáculo vai começar.

Devo te advertir:

Na arena do circo você verá hienas e suas risadas irônicas, cobras, lobo em pele de cordeiro, girafas, preguiças e cachorros. A maioria encenando, os outro sendo apenas sendo primitivos.

Toda a fauna querendo ser flora.

E você vai rir no comeco. Você vai se integrar ao Zoo. Encantadores, se você observar bem.

"-Mas que belas espécies" - você pode pensar.

Mas olhem de perto, senhoras e senhores. Mantenham-se atentos aos movimentos.

Em um espetáculo apenas acredito que não se perceba o todo. Então você vai voltar para rever, e vai voltar todo dia, até virar um hábito e então uma rotina.

Em algum momento, no entanto, você vai perceber que talvez esses animais sejam muito nocivos e bem mais inteligentes e astutos do que você ousou imaginar.

E você vai ficar chocada.

Lembre-se que eu disse: Atenção, senhoras e senhores.








21.7.10

Persépolis e Bordados: Marjane Satrapi

" E assim a gente começava a ventilar o coração, numa longa sessão..."

Parece ser uma delícia ventilar o coração. Os dois livros de Marjane são lindos, e não me canso de dizer isso.

4.6.10

Nós, que somos.

Nós que pensamos alto, nós que temos muita coisa em comum e entre nós.
Que quando pequenos sonhávamos em ter uma profissão que mudasse o mundo; e que tentamos ter mesmo sabendo ser bem "complicated".
Nós que, precisando de aviões para nos levar bem longe, nos contentamos com soltar as rédeas das caravelas e zarpar, mesmo que seja em pensamento.

Que gostamos da poesia. Falada, escrita, dita, fotografada. E da sentida.
Que gostamos de saber mais.
Que temos uma estante cheia de livros, histórias fantásticas que nos fizeram entrar na caravela e ir bem longe, para depois voltar com mais histórias para contar.
Nós que fomos longe, geograficamente, e voltamos, e mudamos nós mesmos e os outros.

Que somos Maria, mas não estamos nem um pouco dispostas a ir com as outras.
Nós que somos tanta coisa por dia sendo ao mesmo tempo um(a) só.

Que nós, que somos, nunca paremos com essa coisa de querer ir além.


14.4.10

por uma semana com mais tempo

vida de gado, uns dizem. acorda cedo, almoça tarde, dormir só em sonhos.
povo marcado pela carga horária, pela hora de assinar o ponto.

vida de formiga operária, dizem outros.

quem me dera uma vida de cigarra.

2.3.10

baile de mascaras

Algumas mascaras nao caem nem com com demaquilante.

comico se nao fosse tragico ou tragico se nao fosse comico (interrogacao)

7.2.10

pensando (bem) alto

você não precisou nem gritar: - mãos ao alto!

e eu não precisei nem dizer que eu já tinha me rendido.


então, shhhhh!

16.1.10

Voce vai. Eu fico.

E voce vai vir.
E nao só isso, voce vai vir e nao vai ficar calado. Voce vai mexer em minhas estantes procurando aquele livro de poesias, voce vai me chamar para ir a praia, a tardinha, para ver o sol indo e construir uns castelos de areia.
Eu penso: "mas que bela merda voce chegando assim de mansinho!''
Mas voce nao vai ligar. Voce vai me chamar de linda, vai ficar falando coisas bonitas, daquelas que no final se tranformam em letras de música nos meus ouvidos. E voce vai falar sobre saudade e sobre como acha bonito meu ser atrapalhado. E eu vou ficar te observando, decifrando tuas linhas. E voce vai perceber isso, e vai adorar. E vai me contar sobre coisas e pessoas fantásticas, e vai me chamar pra danca, e vai..., porque voce vem, mas vai.
Ah vai, vai falar com os olhos, com o coracao e com as maos.
E mesmo que voce nao desse uma palavra, voce ja teria baguncado meus pensamentos.

E eu penso de novo: mas que bela merda voce chegando assim de mansinho.

21.12.09

Tinha o novo todo dia. E tinha as caminhadas. E o sushi na esquina. E o parque no quintal.
E tinha a Ju. E tinha as conversas viajosas com a Ju.
E tinha meu apê. E o trabalho infernal que fazia o tempo correr.
E tinha mocha com leite de soja. Tinha enroladinho de esfinafre.
Tinha a liberdade de ir e vir. (a real liberdade de ir e vir)
E tinha também a segurança.
Tinha os animais. Tinha as aves. Tinha de toda cor.
Tinha gente do mundo todo tentando se entender.
E tinha a vontade de se entender.
Tinha a ioga. Tinha o pilates.
Tinha uma biblioteca enorme. (onde eu me perdia)
Tinha o céu de Monet, de Van Gogh e o de minhas fotos.
Tinha tanto.
E tinha uma saudade imensa que eu sentia disso tudo aqui.

10.12.09

dos acontecimentos inevitáveis.

mudar: fazer ou sofrer alteração. Ou os dois ao mesmo tempo.

As mudancas não te mandam aviso prévio.
E você se encontra (?) diferente.
E você se percebe diferente.
E você se encontra.
Depois de tantos desencontros e de tantas perseguiçõees atrás de mim, acabei me achando numa esquina bem longe, rindo de mim mesma.
Mas eu me agarrei pelo braço. Não ia me deixar fugir assim.
-Ah, então era aqui que eu me escondia?
Me peguei pelo braço e me levei para casa, e me olhei no espelho, e me despi, e me belisquei, e me... me, me, ME!
e me disse coisas das quais eu só fazia uma vaga ideia.
coisas que eles não fazem nem ideia, nem uma vaga ideia, sabe?
eles só pensam em falar dos outros, da vida dos outros, se fulana engordou, se cicrana emagreceu, se beltrano ta pegando a zeltrana...
eu me disse que eu não queria mais isso.
eu não quero mais isso!
e me desculpa se você nao me reconhece,
mas eu te garanto que sou eu mesma.
e me desculpa se eu não quiser conversar com você,
mas se só conversas sobre a vida dos outros,
eu não vou estar disponível para você.

Mas para isso eu te mando esse aviso prévio.
"Querido(a), mudei. E te digo que doeu. E digo mais: ser mutante é ser flexível para se descobrir. Que outras venham, para mim e para você."

23.11.09

a seu tempo.

é tem po de andar pra frente e deixar certas coisas lá trás.


é tempo.


é tempo de cair do pé de madura,


de sair das nossas gaiolas de ouro (interiores e exteriores)


tempo de abrir o coração para a paz,


e os braços para abraços.


(ah!os abraços...)


tempo de seguir com a verdade.


é tempo de novas estações em mim.

tempo de sair do tom e perder o tempo da melodia.

Tempo de brindar às pessoas que querem o bem, que fazem o bem.

tempo de reciclar nossos velhos hábitos com a força das novas idéias.

é tempo...mas um novo tempo. Mais um novo tempo.


tempo de finalmente te chamar para a dança.
e dizer baixinho que eu planejava isso há tanto tempo.

22.11.09

Você me lê de uma forma bem literal.

E então eu escrevo.
Faço isso desde que aprendi, mais ou menos aos 4.
Desde então, escrever virou meu escudo protetor. Eu discutia com minha irmã mais nova, e escrevia uma cartinha para ela. Sentia saudade da mais velha que morava fora, escrevia.
Eu escrevia na escola, escrevia para pedir desculpas a minha mãe por alguma bobagem pueril, eu escrevia na parede de casa.
Depois de um tempo, eu escrevia minhas descobertas, minhas cobertas e encobertas.
Eu escrevia nas entrelinhas para voce (s) nao entender (em).
Escrever encobria minha timidez excessiva. Eu nunca fui boa em falar, em botar pra fora.

Mas na verdade 'e uma grande bobagem pensar que escrever nas entrelinhas disfarça a verdade gritante.
Escrever nos deixa nus.
E sempre vai ter alguem que vai entender a mensagem.
Embora nua,
eu ainda conto verdades dessa minha forma.
Eu escrevo.

17.11.09

os descaminhos de Maria

Maria era filha de Maria, que era filha de uma Maria, também filha de uma Maria de outra história.
Maria era daquelas que vai com as outras, e ia com a mesma sapatilha surrada de tempos atrás, pisando pelos mesmos ladrilhos.
Maria sempre jogou no mesmo time.
Sempre ousou no mesmo corte de cabelo.
Acordava 10 para as 7.
A cafeteria da esquina sempre a recebia religiosamente às 15 para as 4.
Não mudava de endereço, de perfume nem de opinião.

Paulatinamente Maria era sua rotina.
Era acorda-trabalha-trabalha-trabalha-trabalha de novo-dorme.
Maria era isso 365 dias. 366 quando o ano era bissexto.
Ela abria e fechava janelas mas não olhava para o que estava por trás das portinhas de madeira da casa que sempre morou.

Encontrei a tal Maria um dia desses. Reparei no seu novo corte de cabelo. Me disse que trombou com o avesso na rua da certeza. No trombo, ela mudou.
Me passou seu endereço novo.
Maria agora inventa seu descaminho.

10.11.09

despensei altamente

E um dia eu pensei que você fosse a resposta. Que fosse a rima certa. Que tua escrita com a minha dava em poesia. Pensei que o tempo passava rápido quando você falava, que tudo brilhava e que ninguém percebia. Que as cenas daquele filme teimavam em acontecer nas nossas esquinas, que tuas linhas eram as mais bonitas e que a saudade não matava. Que escrever entre-linhas adiantava, que a distância não afastava e que café curava.
Um dia eu pensei em correr contra a maré, contra mim e de você, contra o vento e contra o tic tac do relógio na parede de tua sala.
Um dia eu pensei e repensei.
Um dia eu pensei tanto que desisti de você.

:)

FOOD FOR THOUGHT

Although you may not stumble across a Martian in the garden, you might stumble across yourself. The day that happens, you´ll probably also scream a
little.And that will be perfectly allright because it´s not every day you realise you are a living planet dweller on a little island in the universe. (Jostein
Gaarder- The Solitaire Mystery)